O Museu do Abade de Baçal

O Museu do Abade de Baçal, situado no centro histórico da cidade de Bragança, foi fundado através do Decreto-Lei n.º 2119, publicado a 4 de dezembro de 1915 no “Diário do Governo” n.º 248, e instalado no antigo edifício do Paço Episcopal de Bragança, do século XVIII, sob a designação de Museu Regional de Obras de Arte, Peças Arqueológicas e Numismática de Bragança.

Em 1925 abre ao público sob a direção do Abade de Baçal (Padre Francisco Manuel Alves) que, após se jubilar 1935, passa a ser o seu patrono. Passa então a designar-se Museu do Abade de Baçal, em justa homenagem ao erudito transmontano, investigador e diretor até 1935, que em muito contribuiu para a consolidação e o enriquecimento das coleções do museu.

Revestiu-se de grande importância para o Museu a ação do Dr. Raul Teixeira, Diretor do Museu do Abade de Baçal entre 1935 e 1955. Grande impulsionador da cultura da região e defensor do seu património, desempenhou um papel decisivo na projeção do Museu e na angariação de parte significativa do seu acervo, usando as excelentes relações que tinha junto dos meios culturais e artísticos da época.

O acervo original do museu era constituído por coleções de arqueologia, numismática e pelas peças mais significativas do recheio do Paço Episcopal. Posteriormente, recebeu recolhas do Abade de Baçal e de Raul Teixeira. Ao longo dos anos o espólio do museu tem sido gradualmente enriquecido através de diversas doações, legados e aquisições, tendo particular destaque as dádivas de Abel Salazar e da família Sá Vargas na década de 1930, o legado de Guerra Junqueiro em 1950 e o de Trindade Coelho no início dos anos 1960.

Atualmente as principais coleções que integram o acervo do museu são arqueologia, epigrafia, arte sacra, ourivesaria, numismática, mobiliário, etnografia e pintura, destacando-se os quadros de José Malhoa, Abel Salazar e um conjunto de cerca de 70 desenhos de Almada Negreiros.

A exposição prolonga-se por nove salas e está estruturada em dois grandes temas: a história da região do Nordeste Transmontano e as memórias ligadas ao antigo Paço Episcopal.

Assim, encontramos uma sala dedicada ao distrito, com testemunhos da história política, social, económica, artística e religiosa. A pré-história da região está bem ilustrada através de diversos objetos das sociedades recoletoras e metalúrgicas. O período romano encontra-se também representado por diversas peças de cerâmica, numismática, marcos miliários e instrumentos agrícolas.

Enriquecem ainda o museu núcleos de numismática nacional, ourivesaria dos séculos XVIII e XIX e mobiliário. No que diz respeito ao próprio Paço Episcopal, merecem especial referência a capela, algumas esculturas barrocas, a escultura quatrocentista da Virgem com o Menino, uma riquíssima coleção de prataria, entre outros elementos de valor.